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Os efeitos deletérios das micotoxinas na piscicultura

Nos dias atuais, visando uma alimentação mais saudável, a população brasileira tem aumentado o consumo de pescados. Informações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) indicam que em2015 o consumo nacional é de 10,6 quilos de pescado per capita, ou seja, abaixo do consumo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 12 quilos ou mais. Desta forma, a piscicultura vem se desenvolvendo no país de forma gradativa.

Segundo a Associação Brasileira de Piscicultura (Peixe BR), a atividade cresceu 10% no ano de 2015, produzindo um total de 638 mil toneladas. Somente a tilápia rendeu 300 mil toneladas. Para o ano de 2016 a entidade estima que o segmento vá crescer 12%. A produção de peixes cultivados no Brasil consome cerca de mil toneladas deração informa, a Peixe BR.

Com o passar dos anos, produtores visualizam os benefícios da cadeia que cresce de forma gradativa dentro do setor, introduzindo novas tecnologias no segmento e visando a melhora na produção e resultados, desde que sejam atendidas as condições ambientais, sanitárias e nutricionais adequadas. Vale lembrar que os peixes são bastante suscetíveis a qualquer condição desfavorável, incluindo a contaminação por micotoxinas. Os efeitos adversos das micotoxinas presente na dieta, às vezes indetectáveis, podem ser devastadores em termos produtivos e reprodutivos.

A adequada prevenção nos efeitos deletérios das micotoxinas deve ser uma prática regular  para os produtores visando mantera produtividade e rentabilidade na atividade. Tendo em vista que nos últimos tempos aumentou a tendência de substituir os níveisde proteína animal, com, cada vez, níveis mais elevados de proteína vegetal e uso de cereais como fonte de energia, para nutrição de peixes, aumenta-se a probabilidade de exposição dos peixes a dietas contaminadas com micotoxinas.

Micotoxinas são substâncias tóxicas produzidas por fungos e que podem estar presente em diversos alimentos. Em climas tropicais e subtropicais, o desenvolvimento fúngico é favorecido por excelentes condições de umidade e temperatura. Por isso, há uma grande preocupação com a presença de micotoxinas nos ingredientes usados no preparo de rações, em particular nos grãos (milho, trigo, cevada) e subprodutos de oleaginosas (farelos de soja, amendoim, girassol, algodão).

O crescimento fúngico e a produção de micotoxinas podemocorrer nas diversas fases; desenvolvimento, maturação, colheita, transporte, processamento, armazenamento dos grãos e após a produção e fornecimento das rações.Os efeitos das micotoxinas podem ir desde uma pequena redução no desempenho produtivo a distúrbios metabólicos, fisiológicos, que podem resultar em imunossupressão,falha no funcionamento de órgãos vitais e mortalidade, levando a grandes prejuízos econômicos.

Em um monitoramento realizado por dez anos pelo Lamic (UFSM - Universidade Federal de Santa Maria - RS) constatou-se que cerca de 50% das amostras de milho grão foram positivas para aflatoxinas, com níveis médios de 09 ppb e nível máximo de 14.000 ppb. Já para fumonisinas, cerca de 80% das amostras estavam positivas, com níveis médios de 1.990 ppb.

Os sinais clínicos da intoxicação dos peixes por micotoxinas variam em função da espécie, tipo das micotoxinas envolvidas, concentração nas rações, período que animal é submetido ao alimento contaminado, entre outro fatores. Animais mais jovens são mais sensíveis que adultos.

A produção de peixe pode ser severamente afetada com a presença das micotoxinas nos alimentos. As aflatoxinas, com seu efeito hepatotóxico, podem fazer um acúmulo de gordura (fígado gordo), levando a um aumento do órgão, afetando o crescimento e ganho de peso dos animais. O efeito carcinogênico pode levar a problemas de tumores de fígado, dependendo diretamente do tempo exposição às micotoxinas. Ácido Ciclopiazônico (CPA), em alguns casos, tem sido encontrado associado à aflatoxina. Em experimento realizado com alevinos verificou-se que o CPA tem efeitos tóxicos mais potentes que a aflatoxina.

Já as fumonisinas afetam principalmente o ganho de peso e crescimento dos animais. A toxina T2 é responsável por alterar o ganho de peso e conversão alimentar, podendo apresentar gastroenterite e aumento da mortalidade. Quando as dietas estão contaminadas com altos níveis de DON, esta pode provocar redução no consumo dos alimentos, reduzindo o ganho de peso. A zearalenona prejudica a reprodução, enquanto a citrina e patulina afetam o desenvolvimento embrionário dos peixes.

A utilização adequada de um comprovado aditivo adsorvente de micotoxinas (AAM) na dosagem correta pode aliviar os efeitos maléficos das micotoxinas sobre desempenho produtivo dos animais. AAM comprovados são produtos que tenham demonstrado eficácia in vivo, protegendo os órgãos alvos lesados palas micotoxinas, com melhoras no desempenho zootécnico. Desta forma, na hora da escolha de um adsorvente eficaz, é importante rever o que os seguintes parâmetros nos mostram: um projeto experimental científico; nível de toxinas que causa lesão ao órgão alvo (S); melhorias estatisticamente significativas quando o AAM for adicionado à dieta; o AAM deve proteger o órgão (s) alvo lesado (s) pela micotoxina avaliada; dose comercial do AAM deve ser igual ou próxima a dose científica.

Levando em consideração a problemática das micotoxinas na atualidade, realizamos duas avaliações in vivo, desafiando tilápias do Nilo a dietas contaminadas com aflatoxinas e fumonisinas usando AAM a base de Aluminosilicato de Cálcio e Sódio Hidratado, com objetivo de verificar os efeitos benéficos de um AAM frente às perdas causadas pelas micotoxinas. Este trabalho foi realizado nas instalações do Instituto Samitec (figura1) em delineamento casualizado.

Na avaliação in vivo para aflatoxinas, foram utilizadas 288 tilápias do Nilo com peso médio inicial de 2,64 g e comprimento médio inicial de 3,2 cm (dia 0). Os alevinos foram alimentados durante 21 dias conforme resultados da Tabela 1, demonstrando uma significativa melhora nos resultados dos animais que consumiram adsorvente de micotoxinas.


Já para avaliação de fumonisinas, foram usadas 180 tilápias do Nilo com peso médio inicial de 3,43 g e comprimento médio inicial de 5,54 cm (dia 0). Nesta prova, as tilápias foram alimentadas durante 35 dias conforme resultados da Tabela 2.

A associação destas micotoxinas na dieta dos peixes podem trazer resultados negativos sobre a rentabilidade econômica dos produtores e cooperativas, não somente devido aos efeitos negativos na produção como também sobre o sistema imune dos peixes.


Embasado nos parâmetros citados acima, o uso de AAM com eficácia comprovada pode prevenir os efeitos deletérios das micotoxinas na piscicultura. Deve ser uma prática regular para produtores de peixes a prevenção das micotoxinas, pois desta forma mantemos a rentabilidade e produtividade dentro da atividade, alcançando os resultados esperados.


As referências estão com o autor - mateus@nutrifarma.ind.br


Por: Mateus Morgan - Médico veterinário Coordenador técnico da Linha de Aditivos da Nutrifarma – Nuscience.